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A GRAÇA
1-O PLANO DE DEUS - O homem, criado por Deus, vive envolvido nas coisas do mundo material. Trabalha com elas, luta para obtê-las e se angustia com a possibilidade de vir a perdê-las. Mas, elas nunca lhe bastam, nunca o satisfazem.
Disse Santo Agostinho: “Fizeste-nos, Senhor, para ti, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em ti”.
Somente Deus é capaz de nos satisfazer plenamente.
O ser humano foi criado na graça. Mas a graça foi perdida através do pecado.
Mas Deus, que é amor infinito, não Se afastou de Suas criaturas.
Revelou-se a Abraão. Mais tarde fez aliança com Moisés, libertando-os da escravidão no Egito.
Deus desejou um povo que lhe fosse fiel.
Enquanto Deus Se conservava sempre fiel à Aliança, o povo hebreu, ao longo dos séculos, oscilou entre poucos períodos de lealdade ao pacto feito e muitos de infidelidade... Através dos profetas Deus admoestava e recriminava essas infidelidades, mas sempre esperava, amava, perdoava e continuava fiel!
Na “plenitude dos tempos”, enviou o Messias, seu Filho Jesus, que se fez homem, para trazer o Reino de Deus a todos que o aceitassem.
Jesus veio nos comunicar a Sua Graça. Morreu por nós para apagar nossos pecados e nos reconciliar com o Pai. Voltou a Ele, mas, ao partir, nos deixou Sua Igreja que, ao longo dos séculos é a dispensadora dessa Graça entre os cristãos.
2- A GRAÇA é a comunhão permanente de vida com Deus. Estar em graça é permanecer no estado de amizade com Deus, vivendo em Seu Amor.
Deus oferece essa amizade gratuitamente a nós cristãos, mas respeita nossa liberdade de aceitá-la ou não. Se a aceitamos, Ele nos faz participantes de Sua Vida Divina e começa a agir em nossas vidas.
Como o próprio nome diz, ela nos é comunicada “de graça”, sem nenhum merecimento de nossa parte.
Recebida inicialmente no Batismo, é chamada de ‘graça santificante’.
É também chamada “graça habitual”, porque permanece continuamente conosco, desde que não tenhamos cometido um pecado grave.
Viver nessa graça é o que chamamos estar em estado de graça. E quem vive em estado de graça é um santo, já nesta terra. E, à medida que vamos perseverando nesse santo estado de vida, as boas ações vão se tornando um hábito em nossas vidas.
O estado de graça é, pois, a “vida nova” prometida nos Evangelhos! É Vida na vida, ou seja, é a Vida de Deus estruturando nossa vida!
Durante a caminhada cristã, se procurarmos viver autenticamente essa vida nova, Deus irá nos enriquecendo com outras graças, que nos permitirão conhecê-Lo melhor como Pai e experimentar a alegria de vivenciar a riqueza de Seu Amor infinito por nós. Essas graças são chamadas de “graças atuais”, porque são dons transitórios, como se fossem uma luz para nossa mente, uma força, um estimulo à nossa vontade, para fazermos o bem e evitarmos o pecado.
Perseverando nos Sacramentos da Igreja e buscando a Eucaristia com frequência, iremos consolidando nossa união com Cristo e reforçando a força da Sua atuação em nossas vidas. Cada Sacramento nos confere graças especiais, que nos ajudam a viver melhor o nosso cristianismo.
Vamos aprendendo a amar mais e melhor as pessoas que vivem ao redor de nós: a família, os amigos…, estreitando sempre nossos laços afetivos com todos eles. É esse Amor que nos envereda também na tarefa de descobrir a presença do Cristo no pobre que nos procura e em tanta gente que nos busca pedindo ajuda, ou buscando um consolo. Na graça de Deus aprenderemos a ser caridosos, alegres, pacíficos, pacientes, afáveis, bondosos, fieis, compreensivos, temperantes, tolerantes com Deus, com nosso próximo e conosco mesmos...
A caminhada na Graça não pode ser vivida de forma isolada. Temos que vivê-la na comunidade da nossa Paróquia, na nossa família e com nossos amigos. Perseverar na graça é uma tarefa grande e exigente e nós precisamos do calor, do entusiasmo e do incentivo de outras pessoas, que compartilham conosco o mesmo ideal cristão.
3 – A FÉ - Nossa vida cristã começa no Sacramento do Batismo, quando o Espírito Santo infunde em nós o dom da FÉ.
A Fé gera em nós uma resposta livre e consciente, confiante e total a esse convite amoroso de Deus.
A GRAÇA é a “mão” que Deus estende para nós, convidando-nos a participar de Sua vida divina. Em contraposição, a FÉ é a mão que estendemos de volta a Deus, para segurar a Sua e seguir em frente, nos caminhos que Ele nos propõe. O Senhor, na Sua grande Misericórdia, está sempre à nossa busca...
4- O PECADO. - Essa caminhada nova de redescoberta das maravilhas da Fé e da Graça não é, porém, fácil: Existe um grande obstáculo, que a torna penosa e difícil: é o pecado. O que é o pecado?
· Uma resposta egoísta ao Amor infinito de Deus;
· Um NÃO que damos ao plano divino;
Um voltar as costas a Deus, que vem à nossa procura;
Um ato que põe em primeiro lugar o nosso prazer, a nossa ganância e a nossa vaidade, em vez do bem dos outros e das prescrições do plano de Deus;
É uma ofensa a Deus, Criador e Senhor do Céu e da Terra.
Para o mal do pecado, existe sempre uma cura eficaz, a Misericórdia divina. É preciso acreditar nisso e buscar humildemente o perdão, sempre que cairmos, não importa o número de nossas quedas. Deus nos ama com amor sem limites, e está disposto a nos receber de volta, sempre que nós Lhe pedirmos perdão.
Há faltas leves ou veniais e graves ou mortais. É preciso lembrar que mesmo o pecado leve é um mal, porque enfraquece o nosso amor para com Deus e o próximo. Uma pessoa que não cuida de evitar as faltas pequenas pode correr o risco de cair nas grandes.
A pessoa que não cuida da vida espiritual corre o risco de que o pecado deixe de ser uma ocorrência danosa em sua existência e se torne um hábito, um pecado de estado. Precisamos formar nossas consciências para definir, sem sombra de dúvida, quando é que incorremos em um pecado grave. Para que isso aconteça, são necessárias três condições:
· Matéria grave;
· Pleno conhecimento;
· Pleno consentimento.
Os efeitos de uma falta grave são os seguintes:
· Ofende a Deus, que é bom e digno de todo o amor;
· Afasta-nos do Senhor, priva-nos de Sua graça e diminui em nós o Seu amor;
· Prejudica a toda Igreja, através da dinâmica da Comunhão dos Santos;
· Enfraquece nossa vontade, possibilitando a reincidência em novas quedas.
A luta contra o pecado é um trabalho de toda a vida. Quando abraçamos o cristianismo, temos que nos dispor a viver sempre em estado de conversão. Se estivermos de pé, devemos saber que estamos sempre correndo o risco de cair e que temos de estar atentos a tudo o que pode ser ocasião de queda. Nessa luta, existem auxílios que estão a nosso dispor:
· A oração fervorosa, pela qual pedimos perdão pelas faltas já cometidas e a força para não cair de novo;
· A intercessão valiosa da Virgem Maria, de nosso Anjo da guarda e dos Santos;
· A busca de bons ambientes e a convivência com boas companhias;
· O hábito de fazer de tempos em tempos, uma avaliação de como anda a nossa vida espiritual; o que está indo bem, o que precisa ser mudado, o que costuma ser para nós ocasião de pecado, o que tem sido para nós uma ajuda valiosa, na batalha por uma vida mais perto de Cristo e mais longe do pecado;
· A busca do fortalecimento espiritual, propiciado a nós pela recepção frequente do Sacramento da Eucaristia;
· O esforço constante para permanecer na graça de Deus e evitar a submissão à escravidão do pecado;
· A paciência conosco mesmos, com as nossas dificuldades e com nossas quedas, lembrando que a conversão demanda humildade e perseverança;
· Se voltarmos a cair em pecado, deveremos pedir perdão a Deus, com arrependimento e propósito de não repetir o pecado.
· O mais cedo que nos seja possível, precisaremos, então, de receber, no Sacramento da Confissão, a certeza desse perdão e a tranquilizante sensação de ter voltado à Sua graça.
Jesus está aqui, diante de cada um de nós. Abre-nos os braços e o coração.
O tempo é agora: “Eis o tempo de conversão, eis o dia da salvação”. Lembro ainda uma vez que a Graça Divina nos foi dada no dia do nosso Batismo de forma irreversível. Falta-nos tomar consciência disso e nos apropriar da realidade maravilhosa que é viver continuamente na amizade de Deus. Não importa mais como foi o nosso passado. A misericórdia divina já o acolheu com o seu perdão.
28 dias atrás
https://catequistasbrasil.com.br/14-filmes-para-a-evangelizacao-na-catequese/
14 filmes para a evangelização na catequese
1. Os Dez Mandamentos (1956)
A vida de Moisés narrada em uma inigualável produção que marcou a história do cinema.
2. Jesus de Nazaré (1979)
São muitos os filmes sobre a vida de Jesus, mas Franco Zefirelli nos oferece aqui uma obra prima.
3. A Paixão de Cristo (2004)
Dirigido por Mel Gibson, o impactante filme conta as últimas 12 horas de Jesus Cristo, a partir da traição de Judas e da vigília dos jardins de Getsemani.
4. O Manto Sagrado (1953)
Marcellus Gallio é o centurião romano encarregado de supervisionar a crucificação de Cristo, mas quando ele ganha o manto de Cristo em um jogo de azar ao pé da cruz, sua vida muda para sempre.
5. O Quarto Sábio (1985)
Um homem sábio que buscava do verdadeiro sentido da vida, vendeu tudo o que tinha para levar três presentes para Jesus.
6. Ben-Hur (1959)
Um épico sobre o perdão. Traído por seu amigo Messala, Ben-Hur, o príncipe da Judeia, se torna um escravo. Ao ser adotado por um nobre romano, planeja a sua vingança.
7. O Apocalipse (2002)
Com belos efeitos especiais, o filme relata a perseguição dos primeiros cristãos e a vida de São João enquanto escreve o livro do Apocalipse.
8. Quo Vadis (1951)
Famosa produção sobre a história da perseguição dos cristãos pelo imperador Nero.
9. Irmão Sol, Irmã Lua (1972)
A história de São Francisco de Assis contada com o lirismo do diretor italiano Franco Zeffirelli.
10. A Canção de Bernadette (1943)
A vida de Bernadette Soubirous, que em 1858 em Lourdes, na França, teve visões de Nossa Senhora e enfrenta com sua fé a incredulidade da família e das autoridades locais.
11. Fátima (1997)
Filme português sobre as aparições de Nossa Senhora em Fátima e a perseverança dos três pastores.
12. Marcelino Pão e Vinho (1955)
Um órfão é adotado por um grupo de monges e os contagia com sua ternura e simplicidade. Um dia, ele descobre um amigo especial no sótão e um milagre acontece.
13. Karol: O Homem que se tornou Papa (2005)
A história de João Paulo II, com ênfase em sua vocação e nos fatos políticos que enfrentou em sua trajetória.
14. Madre Teresa (2003)
Uma inesquecível e emocionante produção sobre a vida de Madre Teresa de Calcutá, conhecida como “a santa dos pobres mais pobres”.
29 dias atrás
Os 4 pilares da catequese católica, baseados na estrutura do Catecismo da Igreja Católica, são o Crer (a profissão da fé), o Celebrar (os sacramentos), o Viver (a moral e os mandamentos) e o Orar (a oração cristã).
Os 4 Pilares Fundamentais
Crer (A Profissão da Fé): É o estudo do Credo, que resume as verdades centrais da fé cristã, a história da salvação e o mistério da Santíssima Trindade.
Celebrar (Os Sacramentos da Fé): Refere-se à liturgia e aos sacramentos, os sinais sagrados instituídos por Cristo para comunicar a graça divina e unir a comunidade.
Viver (A Vida em Cristo): Trata da moral cristã e dos Mandamentos, orientando o fiel sobre como agir com amor, justiça e caridade no dia a dia conforme os ensinamentos de Jesus.
Orar (A Oração Cristã):
Como se comunicar com Deus, tendo a oração do Pai-Nosso como o modelo máximo de entrega e intimidade com o Pai
cerca de 1 mês atrás
"Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontram."
“Esforcem-se para entrar pela porta estreita” (Lc 13, 24)
Perguntaram a Jesus: “Senhor, são poucos os que se salvam?” (Lc 13, 23).
Jesus não respondeu esta pergunta, mas sabemos que a salvação que Ele nos trouxe é para todos: “Eu vim para que todos tenham vida” (João 10, 10). Mas Jesus faz um alerta importante: “Esforcem-se para entrar pela porta estreita” (Lc 13, 24).
Qual seria esta porta estreita?
O que disse Jesus em Mateus 25, 31-46: “entrará no Reino do Pai quem souber amar e servir a Ele nos famintos, sem roupa, sedentos, presos, doentes, estrangeiros.” Por que o amor é a porta estreita? Porque o amor nos leva a sair do comodismo, do egoísmo, do individualismo, da indiferença. Fazer o caminho do amor é passar pela porta estreita. Quem ama (passa pela porta estreita) se salvará.
Alguns tentaram questionar a Jesus dizendo: “Nós comíamos e bebíamos em sua presença e tu ensinastes em nossas praças… Não sei de onde são vocês” (Lc 13, 26-27). A resposta é forte, dura. Ou seja, se a gente não amar e não servir, de nada adiantará as outras coisas que fazemos na Igreja.
A minha oração, a minha participação na Missa, na adoração eucarística, na procissão, não me levar a amar e a servir os excluídos e marginalizados, tudo perderá sentido diante de Cristo.
Jesus então faz outra declaração que nos provoca e nos leva a fazer uma séria revisão de vida: “Afastem-se de mim, vocês que praticam a injustiça” (Lc 13, 27). Não tem como ser de Cristo e praticar a injustiça; não tem como ser de Cristo e ser indiferente, omisso diante das injustiças; não tem como ser de Cristo e colaborar com quem faz a injustiça.
Ele nos falou pelo Profeta Isaías: “Não suporto injustiça junto com solenidade” (1,13). Ou ainda: “Quando vocês erguem para mim as mãos, eu desvio o olhar. Ainda que multipliquem as orações, eu não escutarei. As mãos de vocês estão cheias de sangue” (1, 15).
Não podemos cometer, aceitar, apoiar as injustiças. O Papa Francisco nos ensinou que “não é saudável que nos habituemos ao mal. Faz-nos mal permitir que nos anestesiem a consciência social”. O Papa Francisco nos ensinou que não poderemos deixar as injustiças que ferem e que matam acontecerem e a gente fazer de conta que está tudo bem ou afirmar que combater as injustiças não tem nada a ver com a vivência de nossa fé cristã católica.
Sugiro que possamos traduzir a fala de Jesus “afastem-se de mim, vocês que praticam a injustiça” para o positivo. Possamos escutar Jesus nos dizendo: “Aproximem-se de mim, vocês que praticam a justiça”. Imaginemos Jesus repetindo para nós o que está no livro do Profeta Isaías: “Aprendam a fazer o bem, busquem o direito, socorram o oprimido, façam justiça ao órfão, defendam a causa da viúva.
Dom José Ionilton Lisboa de OliveiraBispo Prelado de Marajó (PA)
cerca de 1 mês atrás
OS SÍMBOLOS DOS QUATRO EVANGELHOS
Segundo a tradição cristã, os quatro animais vistos por Ezequiel no meio de sua “carruagem” são símbolos proféticos dos quatro evangelistas:
o HOMEM representa SÃO MATEUS;
o LEÃO, SÃO MARCOS;
o TOURO, SÃO LUCAS;
e a ÁGUIA, SÃO JOÃO.
A tradição cristã, segundo a qual os quatro animais vistos por Ezequiel no meio da “carruagem” são símbolos proféticos dos quatro evangelistas, aparece pela primeira vez em obras de Santo Irineu de Lyon, escritas por volta do final do séc. II.
No tratado Contra Heresias (III 11, 8), seu interesse é demonstrar a existência de apenas quatro Evangelhos autênticos sobre a vida de Cristo, em contraposição aos muitos evangelhos gnósticos que ele busca refutar.
Quer provar ainda que os quatro foram profetizados no Antigo Testamento.
No Salmo 79, 2: “Tu que estás sentado sobre os querubins, manifesta-te”.
O querubim de quatro faces visto por Ezequiel no capítulo 10: “O Verbo que é o artífice de todas as coisas, o qual está sentado acima dos querubins e tudo contém, tendo-se revelado aos homens, deu-nos o Evangelho quadriforme, unido [porém] por um único espírito” (MG 7, 885B).
Em seguida, afirma que o LEÃO, símbolo de São João, representa o poder do Verbo na criação e no governo do mundo;
o TOURO, animal do sacrifício sacerdotal, simboliza Lucas, cujo evangelho começa com um sacerdote, Zacarias;
o HOMEM simboliza São Mateus, que começa por uma genealogia humana;
e a AGUIA simboliza São Marcos, que começa “com espírito profético vindo do alto aos homens […], dizendo: ‘Início do Evangelho de Jesus Cristo. Conforme está escrito no profeta Isaías’ […], por esta razão fez um anúncio tão compendioso como apressado, pois é profético este caráter” (MG 7, 888A).
Santo Agostinho acolhe a explicação simbólica dos animais, sem citar nomes.
Como os três primeiros animais andam na terra [i.e., não voam], estes três evangelistas se ocuparam sobretudo das coisas que Cristo fez na carne […]. Ao passo que João sobrevoa como águia as nuvens da debilidade humana, e contempla com os olhos mais agudos e firmes do coração a luz da verdade imutável [i.e., a divindade de Cristo] (ML 34, 1047).
Esse trecho se refere à crença, comum no mundo antigo, de que as águias seriam capazes de olhar diretamente para o Sol.
É a São Jerônimo que devemos a consolidação da tradição, tal como a preservamos até hoje, de que o homem, o leão, o touro e a águia simbolizam respectivamente Mateus, Marcos, Lucas e João. No prólogo de seu comentário ao Evangelho de São Mateus, ele escreve:
Que estes quatro Evangelhos tenham sido pronunciados desde muito antes, também o livro de Ezequiel o prova, no qual a primeira visão é assim descrita: “No meio, aparecia uma semelhança de quatro seres vivos […]. O seu semblante era assim: rosto de homem pela frente, e face de leão à direita, em todos os quatro, face de touro à esquerda, em todos os quatro, e face de águia nos mesmos quatro” (Ez 1, 5.10). O primeiro rosto, de homem, significa Mateus, que começa escrevendo, ao parecer, sobre um [simples] homem: ‘Genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão’ (Mt 1, 1); a segunda [face], Marcos, em quem se ouve a voz de um leão a rugir no ermo: “Voz do que clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’” (Mc 1, 3); a terceira, de touro, prefigura o evangelista Lucas, que começa escrevendo sobre o sacerdote Zacarias; a quarta, o evangelista João, que, tendo tomado penas de águia, e lançando-se às alturas, fala do Verbo de Deus (ML 26, 19BC).
Essa ordem é repetida à risca, e pelas mesmas razões, por São Gregório Magno no início do quarto sermão sobre Ezequiel (cf. Hom. IV 1, in Ez 1, 10: ML 76, 815A). Jerônimo reafirma o significado profético da visão referindo a presença de quatro animais no capítulo 4 do Apocalipse: “Estão cheios de olhos, e não cessam, dia e noite, de dizer: ‘Santo, santo, santo é o Senhor Deus onipotente, o que era, que é e que vem’” (Ap 4, 8).
“A Visão de Ezequiel”, por Rafael.
Os animais na carruagem em Ez 1, assim como o querubim em Ez 10, são descritos “cheios de olhos”. São Jerônimo repete o que foi dito por Irineu: “Por tudo isso se vê claramente que se hão de acolher somente os quatro Evangelhos, enquanto os cantos fúnebres dos apócrifos hão de ser cantados mais pelos mortos, [isto é], pelos hereges, do que pelos vivos, [isto é, pelos homens] da Igreja” (In Matth., prol.: ML 26, 20A).
cerca de 1 mês atrás