EUCARISTIA, SACRAMENTO DO AMOR
Quando dizemos que a Sagrada Eucaristia é o maior dos sacramentos, afirmamos algo evidente. O Batismo é, sem dúvida, o sacramento mais necessário; sem ele, não podemos ir para o céu.
Na Sagrada Eucaristia não temos apenas um instrumento que nos comunica as graças divinas: é-nos dado o próprio doador da graça, Jesus Cristo
Nosso Senhor, real e verdadeiramente presente.
Provém do Novo Testamento. Os quatros escritores sagrados – Mateus, Marcos, Lucas e Paulo- que nos narram a Última Ceia, Dizem nos que Jesus tomou o pão e o vinho em suas mãos e “deu graças”. E assim, da palavra grega “eucharistia”, que significa “ação de graças”, resultou o nome do nosso sacramento: a Sagrada Eucaristia.
O catecismo ensina-nos que a Eucaristia é ao mesmo tempo sacrifício e sacramento. Como sacrifício, a Eucaristia é a Missa, a ação divina em que Jesus, por meio de um sacerdote humano, transforma o pão e o vinho no seu próprio corpo e sangue e continua no tempo o oferecimento que fez a Deus no Calvário, o oferecimento de Si próprio em favor dos homens. O sacramento da Sagrada Eucaristia adquire o ser (ou é “confeccionado”, como dizem os teólogos) na Consagração da Missa; nesse momento, Jesus se torna presente sob as aparências do pão e do vinho. E enquanto essas aparências permanecem, Jesus continua a estar presente e o sacramento da Sagrada Eucaristia continua a existir ali.
O ato de receber a Sagrada Eucaristia chama-se Sagrada Comunhão. Podemos dizer que a Missa é a “confecção” da Sagrada Eucaristia e que a comunhão é a sua recepção. Entre uma e outra, o sacramento continua a existir (como no sacrário), quer o recebamos, quer não.
”Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come deste pão viverá eternamente. E o
pão que Eu darei é a minha carne, entregue pela vida do mundo” Jo 6,51
Mt 26,26-29 ou Mc 14,22-25 A última Ceia
Luc 22,19-20 A instituição da Eucaristia e da Missa
Jo 6,51-58; 6,66-69 Confirmação da presença real de Jesus na Eucaristia Na última ceia, na noite em que foi entregue, Jesus instituiu o sacramento da Eucaristia pedindo que os apóstolos repetissem o sacrifício (a missa) em memória de sua Paixão, Morte e Ressurreição..
A Eucaristia é o centro e o ponto mais alto da vida da Igreja, pois nesse sacramento Cristo reúne os seus membros para celebrar o sacrifício de louvor e ação de graças oferecido de uma vez por todas na cruz . Através do ministério dos sacerdotes, o próprio Jesus oferece o sacrifício eucarístico, estando Ele próprio presente sob as espécies do pão e do vinho, que são as oferendas do sacrifício eucarístico e sobre as quais é invocada a benção do Espírito Santo pronunciando as mesmas palavras que Jesus disse: ”Isto é o meu Corpo que é dado por vós… Este é o cálice do meu sangue… Este momento da missa nós chamamos de consagração, pois
acontece a transubstanciação; ou seja, a conversão do pão em carne e do vinho em sangue de
Cristo.
“O modo de presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é único. Ele eleva a Eucaristia acima de todos os sacramentos e faz com que ela seja ‘como que o
coroamento da vida espiritual e o fim ao qual tendem todos os sacramentos’. No Santíssimo Sacramento da Eucaristia estão ‘contidos verdadeiramente, realmente e
substancialmente o Corpo e o Sangue juntamente com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo todo”. CIC 1374
Jesus não esta representado nesse sacramento, não é um símbolo apenas, mas é o próprio Cristo que quis se fizer alimento espiritual para nos manter unidos a Ele. É um grande mistério que une céu e terra sob as aparências do pão e do vinho consagrados.
Ao longo da história da Igreja muitos duvidaram da presença real de Jesus no sacramento da Eucaristia, inclusive sacerdotes; por isso ocorreram vários milagres comprovando tal presença.
Ao tratarmos de aprofundar no conhecimento deste sacramento, não temos melhor maneira de fazê-lo do que começando por onde Jesus começou: por aquele dia na cidade de Cafarnaum, em que fez o mais incrível das promessas: a de dar a sua carne e o seu sangue como alimento da nossa alma.
Na véspera, Jesus tinha lançado os alicerces da sua promessa. Sabendo que ia fazer uma tremenda exigência à fé de seus ouvintes, preparou-os para ela. Sentado numa ladeira, do outro lado do mar de Tiberíades, tinha pregado a uma grande multidão, que o havia seguido até ali, e agora, já ao cair da tarde, prepara-se para despedi-los. Mas, movido de compaixão e como preparação para a sua promessa do dia seguinte, faz o milagre dos Paes e dos peixes. Alimenta a multidão –só os homens eram cinco mil- com cinco Paes e dois peixes;
Os discípulos e os que conseguiram entrar aglomeraram-se em seu redor na sinagoga de Cafarnaum. Foi ali e então que Jesus fez a promessa que hoje nos enche de fortaleza e vida: prometeu a sua carne e o seu sangue como alimento; prometeu a Sagrada Eucaristia.
Se tinha poder para multiplicar cinco pães e com eles alimentar cinco mil homens, como não havia de tê-lo para alimentar toda a humanidade com um pão celestial feito por Ele!
Ler capítulo sexto do Evangelho de São João – ambiente, as circunstancias e o desenrolar dos acontecimentos na sinagoga de Cafarnaum. Vou citar somente as linhas pertinentes que começam no versículos 51 e acabam no 67.
“Eu sou o pão vivo que desci do céu”, disse Jesus. “Quem comer deste pão viverá para sempre, e o pão que eu lhe darei é a minha carne para salvação do mundo. Discutiam entre si os judeus, dizendo: Como pode este dar-nos a comer a sua carne? E Jesus disse-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho d homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue verdadeira bebida… Este é o pão que desceu do céu; não como o pão que vossos pais comeram e, não obstante, morreram. Quem come deste pão viverá para sempre… Muitos dos seus discípulos disseram: São duras estas palavras! Quem as pode ouvir?
Conhecendo Jesus que os seus discípulos murmuravam por isso, disse-lhes:… As palavras que eu vos disse são espírito e são vida; mas há alguns de vós que não crêem… Desde então, muitos dos seus discípulos se retiraram e já não o seguiam”.
Muitas religiões protestantes recusam a crença na presença real de Jesus na Eucaristia. Na maioria das confissões protestantes de hoje, o “serviço da comunhão” não passa de um simples rito comemorativo da morte do Senhor; o pão continua a ser pão e o vinho continua a ser vinho.
O sentido claro e rotundo. Jesus não poderia ter sido mais enfático:
“A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida”. Não há forma de dizê-lo com mais clareza.
Os discípulos não tiveram fé suficiente para compreender que, se Jesus lhes ia dar a sua carne e o seu sangue em alimento, o faria de forma a não causar repugnância à natureza humana. Por isso o abandonaram, “e já não o seguiam”.
Os discípulos na verdade tinham entendido perfeitamente e por isso o deixavam. O que lhes faltou foi fé, e Jesus, tristemente, tem que resignar-se a vê-los partir.
JESUS MANTÉM A SUA PROMESSA
Na sinagoga de Cafarnaum, quase um ano antes da sua morte, Jesus prometeu dar o seu próprio corpo e o seu próprio sangue como alimento de salvação dos homens. Na Última Ceia, na véspera da sua crucifixão, cumpriu a sua promessa. Legou à Igreja e a cada um de seus membros o dom da sua própria Pessoa viva.
No Novo Testamento, há quatro relatos da instituição da Eucaristia. São os de Mateus (26, 26-28), Marcos (14, 22-24), Lucas (22, 19-20) e Paulo (1Co 11, 23. 29). São João, que é quem nos conta a promessa da Eucaristia, não se preocupa de repetir a história da instituição deste sacramento. Foi o último Apóstolo a escrever um Evangelho, e conhecia os outros relatos. Em seu lugar, decide transmitir-nos as belíssimas palavras finais de Jesus aos seus discípulos na Última Ceia.
Eis aqui o relato da instituição da Sagrada Eucaristia segundo nos conta São Paulo: “O Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em minha memória. Do mesmo modo, depois de ter ceado, tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice da Nova Aliança no meu sangue; fazei isto em minha memória todas as vezes que o beberdes”.
As suas palavras não podem ser mais claras. “Isto” quer dizer “esta substância que tenho em minhas mãos e que agora que começo a falar é pão, e ao terminar não será já pão, mas o meu próprio corpo”. “Este cálice” quer dizer “este cálice que agora que começo a falar contém vinho, e ao terminar não será mais vinho, mas o meu próprio sangue”.
“Isto é o meu corpo” e “este cálice… é o meu sangue”. Os Apóstolos tomaram as palavras de Jesus literalmente. Aceitaram como um fato que a substancia que ainda parecia pão era agora o Corpo de Jesus; e que a substancia que continuava a parecer vinho era agora o Sangue de Cristo.
Esta foi a doutrina que os Apóstolos pregaram à Igreja nascente. Esta foi a crença universal dos cristãos durante mil anos.
No século XVI, chegaram Lutero e a reforma protestante. O próprio Lutero não negou inteiramente a presença real de Jesus na Eucaristia. Admitia que as palavras de Jesus eram demasiado terminantes para que fosse possível explicá-las de outro modo.
Mas Lutero queria abolir a Missa, bem como a adoração de Jesus presente no altar. Por isso, tratou de resolver o seu dilema ensinando que, embora o pão continuasse a ser pão e o vinho, vinho, Jesus se faz presente juntamente com as substancias do pão e do vinho; mas sustentava que Jesus está presente apenas no momento em que se recebe o pão e o vinho; não antes nem depois.
Outros reformadores protestantes acabaram por negar completamente a presença real de Jesus na Eucaristia.
Tanto eles como os teólogos protestantes que lhes sucederam sustentam que, quando Jesus disse: “Isto é o meu corpo” e “Isto é o meu sangue”, lançou a mão de um recurso de linguagem, e que o que queria dizer era: “Isto representa o meu corpo” ou “Isto é um símbolo do meu sangue”. Na sua tentativa de alterar as palavras de Cristo, tiveram que valer-se de todo tipo de interpretações inverossímeis, mas
deixaram sem resposta as razoes realmente sólidas que provam que Jesus disse o que queria dizer e que quis dizer o que disse.
A primeira delas reside na solenidade da ocasião: a noite anterior à sua morte. Nela, Jesus faz o seu testamento, deixa-nos a sua última vontade. Um testamento não é lugar apropriado para empregar uma linguagem figurativa; mesmo sob circunstancias as mais favoráveis, os tabeliães têm, às vezes, dificuldade em interpretar as intenções do testador, quanto mais se este emprega uma linguagem simbólica.
Mais ainda: sendo Deus, Jesus sabia que, em consequência das palavras que ia pronunciar naquela noite, milhões e milhões de pessoas lhe prestariam culto sob a aparência de pão. Se não tivesse querido estar realmente sob essas aparências, os adoradores prestariam culto a um simples pedaço de pão e incorreriam no pecado de idolatria, e isto, certamente, não é coisa a que o próprio Deus quisesse induzir-nos, preparando o cenário e utilizando obscuros modos de falar. Que os Apóstolos tomaram literalmente as palavras de Jesus