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INTRODUÇÃO AOS SACRAMENTOS
Iniciado por Marta Villela

INTRODUÇÃO AOS SACRAMENTOS

Os seres humanos, feitos de corpo e alma imortal, estão acima de toda criatura. Mais ainda: seus afetos são plenamente ordenados e seus olhos são limpos.

Nesse estado, eles se voltam ao conhecimento de Deus e, uma vez que o conhecem, o amam. Mas amam e conhecem dentro dos limites da sua natureza de homem.

Adão e Eva, nossos primeiros pais, foram criados com a graça. (foram criados para a vida no Céu). Pois nisso consiste a graça: Deus nos concede o dom, de o conhecermos e   o  amarmos.

O Céu é uma realidade sobrenatural, inalcançável para nós sem o auxílio da graça. E a graça foi dada a Adão e Eva, desde o primeiro minuto. As luzes do alto iluminavam a inteligência de cada um e um fogo sobrenatural ardia em seus corações. Era, aqui na terra, uma existência sobrenatural, porque estava acima da natureza humana pura e simples. Houve um salto qualitativo, impossível de ser realizado por meios próprios. A graça operou neles uma modificação, de modo que eles já viviam, pela fé, pela esperança e pela caridade.

A graça foi dada por Deus ao primeiro casal, aquela graça que, conforme ensinou São Pedro, nos torna participantes da natureza divina.

Todos os seres humanos, nascem neste mundo sem a graça santificante, nós nascemos com a graça suficiente, uma espécie de “resquício” da graça que Adão e Eva perderam, e que Deus nos oferece como auxílio para buscarmos a conversão. Essa fagulha da graça todos temos.

Cristo Jesus nos ensinou a realizar, aqui neste mundo, algumas ações que carregam em si uma ação da graça divina. Como dizia Santo Agostinho: “Quando Paulo batiza, Cristo batiza; quando Pedro batiza, Cristo batiza”.

Essas ações são os sacramentos.

Os instrumentos da graça são mais valiosos que qualquer tesouro. Como disse Jesus: “Quem descobre esse tesouro escondido, vai e vende tudo alegremente” (cf. Mt 13, 44).

Um dia, Carlo Acutis, com os pais em Milão, disse-lhes: “Se as pessoas soubessem o que é o Sacramento da Eucaristia, fariam fila nas portas das igrejas como fazem nas portas dos shows”.

Deveria ser assim, mas, infelizmente, os sacramentos, pela cegueira da mundanidade, são cada vez mais tesouros escondidos. Precisamos, portanto, levar as pessoas a conhecer esse dom de Deus e valorizar essa grandeza.

No Antigo Testamento, Deus estabeleceu sinais externos com os quais as pessoas poderiam renovar sua aliança com Ele. Esses sinais, porém, não eram eficazes como são os sacramentos.

 Os Sacramentos não existiam antes da Encarnação de Nosso Senhor e não existirão no Reino do Céu. Trata-se de um fenômeno salvífico dos nossos tempos, o tempo da Igreja.

Recapitulando: Deus criou Adão e Eva na graça santificante. Tinham eles, no paraíso, a capacidade sobrenatural de, respeitados os limites da criatura, conhecer a Deus como Deus se conhece e amar a Deus como Ele se ama. Mas isso perdeu-se com o pecado. Aliás, não só se perdeu a graça santificante, como também a própria natureza humana terminou um tanto desordenada. Antes, Adão olhava a mulher como um ícone de Deus; agora, Eva passou a ser um ídolo. Passou de janela que se abre ao Criador, a espelho que só reflete a criatura.

Deus,  querendo reerguer o homem decaído, fez-se carne no ventre da Virgem Maria.

Em Jesus, a natureza humana superou aquela que havia no Paraíso, com Adão. Eis o mistério do Sagrado Coração de Jesus: uma alma humana se comportando dessa forma tão divina, conhecendo e amando a Deus de modo perfeito. Em Cristo, realiza-se plenamente o projeto de Deus: fazer do homem um participante da natureza divina.

Com sua morte na Cruz, Jesus nos alcançou a graça. Dali em diante, pela ação do Espírito Santo, poderíamos, nós homens, indignos pecadores, ficarmos unidos à sua santíssima alma.

Quando, na Cruz, Cristo expirou, e o soldado transpassou-lhe o peito com a lança, jorraram sangue e água: a água batismal e o sangue eucarístico. Assim, os Sete Sacramentos foram dados a nós na Cruz do Calvário. Assim se cumpriu a profecia de Ezequiel, que viu a água brotando do lado direito do templo: É o que a Igreja canta na Vigília Pascal.

Resumindo: Adão e Eva, com a Queda, perderam a capacidade de, observados os limites da criatura, conhecer a Deus como Ele se conhece e de amar a Deus como Ele se ama. Agora, com a graça de Cristo nos sacramentos, o gênero humano recuperou essa dignidade. Com o Batismo, cria-se na alma humana um novo organismo. Se mantido em estado saudável, se bem alimentado pelo Pão espiritual, esse novo órgão pode nos levar, ainda neste mundo, àquele conhecimento e àquele amor sobrenaturais.

Importante falar desse organismo sobrenatural, porque há quem imagine que os sacramentos são uma questão meramente jurídica, como a de quem vai ao cartório para limpar o nome. A diferença é a seguinte: resolver uma pendência jurídica não muda em nada a alma do adimplente.

No Batismo, porém, ocorre uma modificação profundíssima. A alma de um batizado é distinta, pois a pessoa passa a ter a capacidade de agir de forma superior, justamente por conhecer e amar a Deus de modo superior.

Usamos o termo “capacidade” porque o Batismo não garante que a pessoa irá desenvolver bem o organismo sobrenatural que foi constituído. No batizado ocorre uma modificação,. mas nada garante que o sujeito se aproveitará desse upgrade, com toda a potência espiritual que ele acrescenta, para se tornar santo.

Seja como for, a graça sacramental derramada na Cruz promoveu um grande milagre na história humana: os santos, que eram escassos no Antigo Testamento, tornaram-se abundantes no Novo.

Sim, no Antigo Testamento havia santos. O Livro do Apocalipse diz que eles eram no número de 144 mil, 12 mil de cada uma das Doze Tribos de Israel. Ou seja, é um número limitado e pequeno. A partir da Paixão de Nosso Senhor, houve uma profusão de santos, uma multidão de santos.

Os santos do Antigo Testamento, é importante dizer, também se santificaram em Cristo. Adão e Eva, depois da Queda, Noé, Abraão, os demais patriarcas, Moisés e tantos outros foram agraciados: viram Cristo e sua Paixão. Viram-no e creram. E porque creram, pela fé, receberam a graça santificante derramada na Cruz. Por isso, o número de santos, antes da Encarnação, era tão pequeno. Dependia-se dessa extraordinária revelação, que, por sua vez, só era dada a quem tivesse grande virtude.

Nós, felizes e bem-aventurados, recebemos essa mesma graça já no Batismo. E a recebemos, normalmente, recém-nascidos, sem ter feito nada para merecê-la. Os Patriarcas, os santos do Antigo Testamento, pela fé em Cristo, já pertenciam à Igreja; mas eram poucos. Agora, no Novo Testamento, temos abundância, pois uma multidão de pessoas recebe a graça santificante; de modo que, se elas trilharem o caminho da santidade, entrarão gloriosas no Reino do Céu.

Por fim, não percamos de vista a seguinte realidade: o sacramento modifica efetivamente, por dentro, quem o recebe. O batismo de São João era simples sinal. Não tinha o poder de operar uma real mudança na alma do batizado. Quem descesse às águas do Jordão, correspondendo à graça de Deus, alcançando a contrição perfeita, podia efetivamente receber o perdão dos pecados. Contudo, a causa não era o batismo; mas a graça santificante que ainda seria merecida por Cristo no Calvário.

Os protestantes ainda pensam assim. Para boa parte deles, não há economia sacramental, não há sinal visível e eficaz; tudo depende da fé da pessoa. No Novo Testamento, porém, houve um salto: com seu sacrifício, Cristo mereceu para nós a graça santificante, graça que jorra da inesgotável fonte dos Sacramentos. Nova Aliança.

Os Sacramentos são sinais visíveis instituídos por Cristo para causar, na pessoa que os recebe, uma ação da graça de Deus. Por isso, enquanto instrumentos da graça, possuem uma eficácia infalível.

Por exemplo, o Batismo. Deus quis fazer de mim um dos seus filhos. Este querer de Deus foi também o querer da alma humana de Cristo, que é um com o Pai. Então, Ele usou um instrumento exterior, a água, e as palavras da fórmula batismal: “Maria”, eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém”. E a transformação ocorreu: doravante, tornei-me filha de Deus.

Os sacramentos fazem com que tenhamos contato com a humanidade de Cristo, porque é ela quem os opera. 

A água que, no Batismo, cai na cabeça da criança, é o sinal visível de uma “água invisível”, espiritual, que é o Espírito Santo. 

Ali, verdadeiramente, a alma da criança, por ação do Espírito Santo, une-se à alma de Cristo. Temos, portanto: sinais visíveis (água, palavras, ministroe eficazes (porque fazem o Espírito Santo virde uma realidade invisível (a união de uma alma humana à alma de Cristo). 

Deus escolheu esse instrumental, esses sinais visíveis, justamente por causa da fragilidade humana. Se fôssemos anjos, veríamos sempre a substância das coisas por detrás de suas aparências. É de se imaginar o que os anjos veem, por exemplo, quando olham para um sacrário, para as hóstias consagradas. Nós, homens, porém, pelas nossas limitações, sem contar com a graça santificante, só chegamos à substância das coisas com muito custo: primeiro, precisamos captar algo da realidade com os sentidos; depois, esse algo passará pela imaginação, pelo discurso e, só após um longo caminho, chegará ao intelecto. Sob esse prisma, os sacramentos são como atalhos que partem da nossa natureza sensível.

Os sacramentos são sinais sagrados instituídos por Cristosinais que causam, verdadeiramente, uma ação da graça invisível na vida de quem os recebe.

Mas, Deus opera como quer.

Um exemplo da manifestação da graça santificante, concedida por Deus de modo direto, são as pessoas que, perseguidas e trancadas numa prisão, apartadas dos sacramentos por força da lei, saem do cativeiro santificadas. 

De um jeito ou de outro, Deus quer nos agraciar. É um manancial de amor que brotou desde o peito chagado do Cristo; são a água e o sangue sagrados que lavam a todos nós, tornando-nos dignos de entrar, como filhos de Deus, no Reino do Céu.

 

Para compreender como os Sacramentos agem em nossa alma, precisamos entender o que é a graça santificante, que nos eleva à vida sobrenatural, e o que é a graça atual, com a qual Deus nos ilumina.

De acordo com a natureza humana, poderíamos, embora desordenados pelo pecado, conhecer algo de Deus e, por consequência, amá-lo. No entanto, mesmo com esse conhecimento e esse amor, não iríamos para o Céu, pois estar no Céu é conhecer a Deus como Ele se conhece e amá-lo como Ele se ama; é preciso que o ser humano se purifique da mancha do pecado e tenha a sua natureza elevada, o que se faz pela graça.

A graça faz com que passemos do natural para o sobrenatural. É como uma Ferrari e uma charrete.

Queremos dizer com isso que a graça santificante nos dá essa potência (a Ferrari), esse meio de ação que é vedado a quem esteja no pecado (a charrete). Podemos avançar no caminho da santidade a bordo de uma super máquina, em velocidade inalcançável a quem só tem a seu dispor a carroça. 

É possível que dois sujeitos tenham a mesma Ferrari, com o mesmo motor, a mesma potência e os mesmos recursos de direção. Um deles sempre a utiliza, explorando bastante de sua capacidade; o outro, sequer a tira da garagem; deixa o carrão todo o tempo parado, sem um pingo de combustível. O primeiro chegará à sua meta; o segundo, jamais. 

Assim, a graça santificante não garante a santidade. O que ela nos dá é a condição sem a qual não podemos avançar no caminho da perfeição. Mas um carro só anda se estiver abastecido com o combustível que lhe é próprio.

O nosso combustível, que vai nos mover para a santidade, pela graça santificante e nos levará a agir conforme a fé, a esperança e a caridade, é a chamada graça atual, ou intervenção divina, que se obtém por meio da constante oração, da meditação e dos demais exercícios de piedade. 

O Concílio de Trento define: “Pelos sacramentos, começa toda verdadeira justiça e, uma vez começada, é aumentada, ou, se perdida, é restaurada”. 

Quer dizer, os sacramentos não só produzem a justificação, por meio da graça santificante, como também servem para aumentá-la ou para restituí-la. Ou seja, certos sacramentos criam o motor, e outros o restauram quando necessário. 

Note, portanto, que os sacramentos dispensam, cada um deles, graças específicas. Não fosse assim, bastaria só um, em vez de sete. Além disso, cada sacramento nos dá a possibilidade de receber certas graças atuais. Por exemplo: quem recebe o sacramento do Matrimônio se abre, para sempre, a graças atuais necessárias a esse estado de vida. Outras são as graças devidas a quem tenha recebido o sacramento da Ordem.  

A passagem do natural para o sobrenatural, quem a realiza são propriamente dois sacramentos: o Batismo e a Confissão. São eles que nos conferem a chamada graça primeira: o Batismo realizando a justificação; a Confissão restaurando-a. Só eles têm o condão de nos tirar da Morte para a Vida. Por isso são chamados de “sacramentos dos mortos”. 

Os outros sacramentos conferem a graça segunda. São, por isso, os “sacramentos dos vivos”, próprios àqueles que já estão em estado de graça, vivos em espírito. É assim com a Crisma, a Eucaristia, o Matrimônio e a Ordem.

É por isso que receber qualquer desses sacramentos fora do estado de graça — ou seja, sem o Batismo e sem a Confissão, se necessária — é um sacrilégio e, portanto, pecado grave.

Ao receber a graça santificante, também recebemos as virtudes teologais, as virtudes infusas e os dons do Espírito Santo. Esse é o organismo sobrenatural que nos possibilita a busca da santidade.

Quando Ele se doa e se comunica para que participemos da sua natureza, ocorre em nós uma modificação. A criatura transforma-se ao toque do Criador. É isso o que chamamos de graça criada. A graça santificante, de que temos falado, é desse tipo, realiza uma transformação na pessoa.

Nós somos capazes de conhecer e amar de um modo muito superior aos animais. Porém, há aqueles que conhecem e amam as coisas com maior ou menor dificuldade. O que muda de um para o outro é o hábito.

O hábito define-se como a facilidade em fazer algo, o que, de regra, se adquire com a prática reiterada.

Há hábitos que facilitam o exercício do amor. Todos somos habituados a amar os nossos pais. Diferente, e muito mais difícil, é amar o mendigo bêbado, maltrapilho, mal cheiroso, rude e arrogante, que nos xinga na rua. Para a maior parte das pessoas será preciso um esforço, pela falta de hábito.

Uma pessoa em estado de graça mesmo sem a prática reiterada, tem um hábito de conhecimento — que chamamos fé — e um hábito de amor — que chamamos caridade. O batizado recebe, no ato sacramental, virtudes que, sem esse auxílio celeste, só se tornaram habituais depois de muitos anos, quiçá a vida inteira. Por isso, dizemos que as virtudes teologais — a fé, a caridade e a esperança — são infusas.

A maior parte das pessoas não nota a diferença, mas, por exemplo, Santo Agostinho, que era filósofo, notou. Ele passou a vida debruçado sobre questões dificílimas, que custava a entender. Depois do Batismo, ele percebeu um clarão na inteligência; realidades que lhe eram obscuras, que ele só enxergava com muita dificuldade, de repente lhe ficaram nítidas.

Consequência disso, dessas virtudes infusas que geram certos hábitos positivos, é que as outras virtudes que as acompanham também melhoram. Daí o dizer que a graça santificante cria no sujeito um organismo espiritual. Tudo passa a funcionar com maior destreza. E não só isso: como é um organismo, ele pode crescer. E, uma vez que crescem os órgãos fundamentais, a inteligência e a vontade, os outros também os seguem, e dão frutos não só mais abundantes como mais vistosos.

Exemplo desse salto de qualidade é a castidade, (virtude da temperança), que muitas pessoas adquirem após o batismo.

O pecado nos retira a graça e sua força.

Com o Sacramento, não apenas passamos de pecadores a não-pecadores. Há uma transformação,  a passagem de pecador a santo — pelo menos em potencial.

Para perceber esta mudança, precisamos exercitar a oração, a prática das virtudes, com o crescimento na vida espiritual. Precisamos fazer a nossa parte.

Diz São Tiago: “A fé sem obras é morta” (Tg 2,17). Mostramos que temos fé pelas obras.

E o movimento mínimo, básico, da vida espiritual é a caridade que nos leva a obedecer aos Mandamentos. Além disto, podemos exercitar e chegar a amar a Deus como os santos, com um amor que nos leve a dar a vida por Cristo.

Não basta “ser católico”.  Nós cremos que Deus infundiu em nossos corações a sua graça, e que ela age em nós, capacitando-nos a buscar a santidade. E é para o aumento dessa graça que temos os sacramentos.

A Graça sacramental e o Caráter indelével

Os sacramentos, como já vimos, são necessários à nossa salvação. Sem a graça santificante não seríamos capazes de entrar no Céu.

O ferro, um material frio e duro, em contato com o fogo, de frio, passa a quente; de rígido, fica fluido. Ainda é ferro, mas comporta-se como se fosse outra coisa. É isso que a graça santificante faz em nosso coração: ele continua um coração humano, mas, com fé e amor, passa a se comportar divinamente. 

A graça santificante faz com que nossa alma tenha a forma da alma de Cristo, que participe do amor e do conhecimento de Deus, com a intimidade que o Filho participava. É como acontece com os santos, que se configuraram à alma de Cristo, homens e mulheres que amaram, que conheceram, que perdoaram, que se tornaram puros como Cristo. Eis o efeito da graça santificante.

 

Esta graça pode aumentar com os sacramentos. A Comunhão, por exemplo.

Um homem casado precisa de determinadas graças para viver o casamento, assim como também o padre para viver seu sacerdócio. Um doente em estado terminal, padecendo as tentações da morte, precisa de outras, e assim por diante.

A graça santificante é habitual, enquanto as virtudes específicas de que necessitamos no dia a dia são operativas e demandam as graças atuais. A graça santificante cria disposição geral para agir conforme a virtude. Já as graças atuais nos dão socorro nas situações concretas, de acordo com nosso estado de vida.

Sabemos que há certos Sacramentos que não se repetem, como o Batismo. É como dizemos no Credo: “Professo um só Batismo”. É porque, além da graça sacramental, há o caráter, a marca que determinados sacramentos nos imprimem

O Batismo é válido mesmo que a pessoa que o receba seja, e continue sendo, herege, apóstata ou até satanista. Pela sua conduta, o sujeito colocou obstáculos para a graça santificante, mas o Batismo foi válido e deixou naquela alma uma marca indelével, indestrutível. Então, caso a pessoa se converta e se arrependa, não deve buscar um novo Batismo, mas uma Confissão, que fará brotar naquela alma a graça batismal. Um grande pecador pode adquirir o caráter de Padre, pode, de modo eficaz, exercer o sacerdócio, mas, pessoalmente, não recebeu a graça santificante, pois não rejeitou os seus erros. Essa é a fundamental diferença entre a graça sacramental e o caráter indelével. 

Vemos, em primeiro lugar, que certos sacramentos não se repetem. Se não se repetem, é porque foram válidos. E se foram válidos, mas o sujeito que os recebeu não foi tocado pela graça santificante, porque colocou-lhe um óbice, trata-se de um fenômeno particular. Daí o chamarmos de caráter sacramental, porque é como uma marca, um caractere que determinados sacramentos (Batismo, Crisma e Ordem) imprimem na alma se forem recebidos validamente.

Para dar uma breve explicação sobre o caráter que os sacramentos imprimem, podemos dizer que o Batismo, a Crisma e a Ordem, que só podem ser recebidos uma única vez, são assim pois estão ligados ao sacerdócio de Cristo: o Batismo e a Crisma com o sacerdócio comum dos fiéis; a Ordem com o sacerdócio ministerial do padre. Em uma palavra, os três estão relacionados ao culto divino, à oferta que devemos dar a Deus — a oferta de nossas vidas, se somos leigos; e o sacrifício do altar, se somos padres ordenados, que são realidades bastante diferentes.